terça-feira, 24 de agosto de 2010

Sobre a candidatura presidencial

Declaro que sempre concordei com a apresentação e apoio de um candidato à Presidência da República, militante ou da área do Partido Comunista Português. Pela necessidade de marcar uma posição clara sobre o momento politico-social e, quantos mais canditos houver para fixar o eleitorado de esquerda, mais provável haver segunda volta eleitoral.

Outra coisa é ficar entusiasmado com o candidato anunciado. Tenho boas relações pessoais com o Francisco Lopes, mas acho que não reune as características para esta exigente tarefa. Mas, sinceramente, espero ser surpreendido! O meu voto está garantido mas, para já, não bato palmas.

sábado, 21 de agosto de 2010

Hoje é o Dia Mundial da Fotografia


"Uma imagem vale mais do que mil palavras"
Uma referência especial para o meu repórter fotográfico...

Um dia parti, em busca de mim

Um dia parti
Rumo ao desconhecido
Levando comigo a força de uma guerra sem fim
E de um sonho teimoso desejando existir
Sempre



Um dia com o anoitecer
Com as sombras envolventes e os vazios ao meu lado
Subi mais alto que as nuvens dos céus
E dali, bem lá na alturas
Abracei as estrelas,e pisquei o olho à lua
Que me observava inquieta.



Um dia quis acordar
Mas percebi desse querer, e de tentar,
Que efectivamente nunca tinha estado ali,
Naquele espaço demasiado pequeno e estreito
Nesse mundo apinhado e à deriva
Catapultado entre galácteas e corpos
Que é o lugar da vida de todos nós.



Um dia quis partir
E acordei, de um inexistir permanente
E pulei desejando ultrapassar o delírio
De uma obssessiva e vitalícia ilusão
Ou simplesmente, de um vago ser ou estar,
Buscando mais que a descoberta
De algo que pudesse encontrar
Fora de mim,
Pudesse paulatinamente
Como num acordar prioritário
Tocar-me, e olhar-me
A mim mesmo.



Em busca de mim
à procura de um existir
Que se desconhece como real
Mas que cremos é verdadeiro
Parti. Em demanda, à descoberta
Em peregrinação
Em viagem sem fim
Procurando encontrar bem no fundo
A razão de tudo
A essência
Um pouco de mim.



Um dia parti...

(de P A Cruz)

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Desta vez, estou de acordo com Ferreira Fernandes

A soldado desconhecida
por FERREIRA FERNANDES


Josefa, 21 anos, a viver com a mãe. Estudante de Engenharia Biomédica, trabalhadora de supermercado em part-time e bombeira voluntária. Acumulava trabalhos e não cargos - e essa pode ser uma primeira explicação para a não conhecermos. Afinal, um jovem daqueles que frequentamos nas revistas de consultório, arranja forma de chamar os holofotes. Se é futebolista, pinta o cabelo de cores impossíveis; se é cantora, mostra o futebolista com quem namora; e se quer ser mesmo importante, é mandatário de juventude. Não entra é na cabeça de uma jovem dispersar-se em ninharias acumuladas: um curso no Porto, caixeirinha em Santa Maria da Feira e bombeira de Verão. Daí não a conhecermos, à Josefa. Chegava-lhe, talvez, que um colega mais experiente dissesse dela: "Ela era das poucas pessoas com que um gajo sabia que podia contar nas piores alturas." Enfim, 15 minutos de fama só se ocorresse um azar... Aconteceu: anteontem, Josefa morreu em Monte Mêda, Gondomar, cercada das chamas dos outros que foi apagar de graça. A morte de uma jovem é sempre uma coisa tão enorme para os seus que, evidentemente, nem trato aqui. Interessa-me, na Josefa, relevar o que ela nos disse: que há miúdos de 21 anos que são estudantes e trabalhadores e bombeiros, sem nós sabermos. Como é possível, nos dias comuns e não de tragédia, não ouvirmos falar das Josefas que são o sal da nossa terra?

Sobre a saíde de tropas norte-americanas do Iraque

Se não avalio mal ou se não estou mal informado, estamos perante uma nova realidade creio que nunca vista ao longo do Século XX: as Forças Armadas de um país como os EUA até podem vir a retirar-se, como se diz, mais tarde ou mais cedo, do Iraque e do Afeganistão mas podem permanecer nesses países centenas de milhar de combatentes mercenários de nacionalidade norte-americana, dispondo de sofisticado armamento militar (incluindo aviões e helicópteros), sejam eles pagos pelo orçamento federal dos EUA ou pelo dinheiro do petróleo do Iraque e das papoilas do Afeganistão. E esta, hem ?
in "O Tempo das Cerejas"

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

SOBRE O POEMA (de herberto helder)

Um poema cresce inseguramente
na confusão da carne,
sobe ainda sem palavras, só ferocidade e gosto,
talvez como sangue
ou sombra de sangue pelos canais do ser.


Fora existe o mundo. Fora, a esplêndida violência
ou os bagos de uva de onde nascem
as raízes minúsculas do sol.
Fora, os corpos genuínos e inalteráveis
do nosso amor,
os rios, a grande paz exterior das coisas,
as folhas dormindo o silêncio,
as sementes à beira do vento,
- a hora teatral da posse.
E o poema cresce tomando tudo em seu regaço.


E já nenhum poder destrói o poema.
Insustentável, único,
invade as órbitas, a face amorfa das paredes,
a miséria dos minutos,
a força sustida das coisas,
a redonda e livre harmonia do mundo.

- Em baixo o instrumento perplexo ignora
a espinha do mistério.

- E o poema faz-se contra o tempo e a carne.

... não descansar à sombra da bananeira

Trabalhei. Esforcei-me. Fui perseverante. Cheguei a resultados profissionais merecidos, mas ainda insuficientes/poucos face às potencialidades existentes. Mesmo nas actividades sociais parece que subi um patamar em matéria de organização pois, com menos esforço e tempo, consegui intervir em tempo oportuno e com qualidade aceitável.

O próximo ciclo profissional (estou certo que todos os dias aparecerão novos problemas) terá de continuar a merecer grande empenho da minha parte. Decerto que os proveitos (de vários matizes) chegarão! Ao trabalho!

... engraçada

anedota

Um velho polaco diz para outro "afinal tudo o que o Partido nos dizia sobre o comunismo era mentira", responde o outro "o pior é que o Partido dizia sobre o capitalismo era verdade"

domingo, 1 de agosto de 2010

No aniversário do Manel. O meu mais velho...

FALA DO HOMEM NASCIDO


Venho da terra assombrada,
do ventre da minha mãe;
não pretendo roubar nada
nem fazer mal a ninguém.
Só quero o que me é devido
por me trazerem aqui,
que eu nem sequer fui ouvido
no acto de que nasci.

Trago boca para comer
e olhos para desejar.
Com licença, quero passar,
tenho pressa de viver.
Com licença! Com licença!
Que a vida é água a correr.
Venho do fundo do tempo;
não tenho tempo a perder.

Minha barca aparelhada
solta o pano rumo ao norte;
meu desejo é passaporte
para a fronteira fechada.
Não há ventos que não prestem
nem marés que não convenham,
nem forças que me molestem,
correntes que me detenham.
Quero eu e a Natureza,
que a Natureza sou eu,
e as forças da natureza
nunca ninguém as venceu.

Com licença! Com licença!
Que a barca se faz ao mar.
Não há poder que me vença.
Mesmo morto hei-de passar.
Com licença! Com licença!
Com rumo à estrela polar.

(António Gedeão)

Sobre dois processos de defesa do acesso à mobilidade

As acções relacionadas com a contestação ao pagamento de portagens na A 23 estão a arrefecer apesar das potencialidades de mobilização popular em torno desta causa. Falta organização, liderança, perseverança e ousadia. Há que arrepiar caminho, pois há homens e mulheres com muita capacidade envolvidos neste processo.

Por outro lado, as acções em torno da reivindicação da abertura da Ponte de Constância estão em crescendo, constatando-se análise da realidade social e socio-politica envolvente, organização e grande espírito de oportunidade. Parabéns ao povo do concelho de Constância (e de autarquias vizinhas), aos militantes políticos, autarcas e activistas sociais.