sexta-feira, 7 de maio de 2010

Há analfabetos e analfabetos

"Não há pior analfabeto que o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. O analfabeto político é tão burro que se orgulha de o ser e, de peito feito, diz que detesta a política. Não sabe, o imbecil, que da sua ignorância política é que nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos que é o político vigarista, desonesto, o corrupto e lacaio dos exploradores do povo."



Bertolt Brecht (1898-1956)

domingo, 25 de abril de 2010

36 anos depois: ainda há força para continuar!

Aquele dia já foi a sequência feliz de um caminho de empenho colectivo e pessoal por uma sociedade mais justa e fraterna.

Hoje, trinta e seis anos depois, constato que apesar de grandes avanços há ainda muitos obstáculos para ultrapassar. Fica aqui uma nota estritamente pessoal: apesar da actividade frenética daqueles dias e anos posteriores, hoje ando a fazer muito mais pela tal sociedade mais justa e fraterna. Até o objectivo estar cumprido, continuarei a tentar corrigir o que está mal e a multiplicar o que está bem. Umas vezes somos muitos, outras muito poucos. Mas sou um corredor de fundo. E, melhor, gosto de correr.

Beijos e afectos para todos e todas que ao longo destes anos me deram o prazer de estarmos juntos. Nos momentos maus, nos momentos de resistência e nos êxitos.

domingo, 18 de abril de 2010

Foram saudades!?!?...

No espaço de dez minutos, telefonei para toda a família que está distante. Pais, filhos, noras e netos. É importante para o meu equilíbrio saber que estão bem. Quero para eles o melhor, como eles a mim. Nesta fase e idade complicadas, em que quase só vemos problemas sociais e profissionais, é bom sentir o carinho deles.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

"PODER VERMELHO" fica bem neste blog

OPINIÃO
Poder vermelho
28 03 2010 22.29H
João Malheiro

Foi Marselha, foi Faro, foi Lisboa. Foi extramuros, foi casa neutra, foi intramuros. Foram três embates decisivos? Todos diferentes… todos iguais.

Há um mês, na TV, Manuel José emudeceu os críticos e até os maldizentes. Campeão? O Benfica, sentenciou. Reconhecida a independência e a sabedoria do ex-seleccionador de Angola, não houve quem o contestasse, ainda que no mesmo programa dois dos intérpretes mais pareçam o roque e a amiga (a ordem dos factores é arbitrária) na sanha antibenfiquista.

Manuel José viu o que qualquer adepto sensato da bola também viu. Se fosse agora, depois dos últimos três compromissos vitoriosos, todos viriam ainda mais bem visto. Mais bem visto, logo mais bem sustentado ainda.

O Benfica, esta temporada, dá-se a ver com vistas largas. Mais? Vistosas prestações que, de tão recorrentes, legitimam que ali se veja a melhor equipa nacional da actualidade. E o Benfica europeu? Manuel José não falou, não vaticinou. Se viu Marselha, só pode ter visto o que todos viram.

Viu-se dos melhores fragmentos da bola portuguesa dos últimos anos. E agora? Há 50 anos que o Benfica não conquista uma prova europeia, há 20 anos que não comparece no mais visto dos palcos. Será desta? Pode ser desta que se veja no pico da glória internacional. Este Benfica não tem fronteiras. Vê-se que não tem.

É a vera-efígie de outros Benficas, de velhos Benficas ganhadores. Vê-se tanto, vê-se tão bem, que até há, no universo vermelho, quem já se veja em aflição no final da temporada. Como manter este quadro de jogadores, tão apreciado pela visão gulosa dos grandes colossos europeus?

Só que, nessa altura, talvez se veja o que se não vê há muito. Um Benfica triunfante e de arca carregada à vista de todos.

domingo, 28 de março de 2010

Vem aí mais uma travessia do deserto

À medida que os dias passam acumulam-se factos que, aos poucos, me vão empurrando para mais uma travessia do deserto. Mas que fazer? Já não me querem por perto, não têm nada para me dizer ou oferecer. No meio de uma certa tristeza, uma certeza: não fui eu nem os meus comportamentos que se afastaram do caminho correcto a percorrer. Valem-me ainda os apoios de familiares e amigos.

domingo, 21 de março de 2010

Citações de domingo com leituras várias (2)

"Não há nenhuma lei económica que explique como pode um pequeno empresário pagar entre 20 a 25 por cento de IRC e a banca 9 a 10 por cento"

Citação de domingo com leituras várias (1)

"Um homem comprometido com a leitura é crítico, rebelde, inquieto, pouco manipulável e não crê em lemas que alguns fazem passar por lemas"

quarta-feira, 17 de março de 2010

Sou um MANO

Na sequência de um debate sobre o meu enquadramento político-partidário, entrei na categoria do MANO's (militantes activos não organizados). Ainda há os MAO's (militantes activos organizados) e os NANO's (nem activos nem organizados). Estes, sem dúvida, a grande maioria.

quinta-feira, 11 de março de 2010

António Vitorino é só um exemplo.....

Pois o sócio da firma Cuatrecasas, Gonçalves Pereira & Associados, o administrador não executivo do Portugal Telecom Internacional, o consultor jurídico da EDP, o consultor de Assuntos Sociais da José de Mello SGPS, o vice-presidente do Conselho de Planeamento da Universidade Internacional, o presidente do Centro de Estudos Euralgense, o administrador não executivo da Siemens Portugal, o presidente das assembleias gerais da Brisa, da Finipro e da Novabase, e o, ainda, presidente do Conselho de Administração da Fundação Arpad Szenes-Vieira da Silva (ufa!) - para além de ilustre cronista neste jornal e outras coisas que não vêm nos currículos oficiosos da Internet - resolveu, novamente, bater com a porta e sair da ribalta. (in DN)

domingo, 7 de março de 2010

de ANTÓNIO RAMOS ROSA

AS PALAVRAS

Adiro a uma nova terra adiro a um novo corpo
As palavras identificam-se com o asfalto negro
o tropel das nuvens
a espessura azul das árvores acesas pelos faróis
o rumor verde
As palavras saem de um ferida exangue
de teclas de metal fresco
de caminhos e sombras
da vertigem de ser só um deserto
de armas de gume branco
Há palavras carregadas de noite e de ombros surdos
e há palavras como giestas vivas
Matrizes primordiais matéria habitada
forma indizível num rectângulo de argila
quem alimenta este silêncio senão o gosto de
colocar pedra sobre pedra até á oblíqua exactidão?
As palavras vêm de lugares fragmentários
de uma disseminação de iniciais
de magmas respirados
de odor de gérmen de olhos
As palavras podem formar uma escrita nativa
de corpos claros
Que são as palavras?Imprecisas armas
em praias concêntricas
torres de sílex e de cal
aves insólitas
As palavras são travessias brancas faces
giratórias
elas permitem a ascensão das formas
elevam-se estrato após estrato
ou voam em diagonal
até à cúpula diáfana
As palavras são por vezes um clarão no dia calcinado
Que enfrentam as palavras?O espelho
da noite a sua impossível
elipse
Saem da noite despedaçadas feridas
e são signos do acaso pedras de sol e sal
a da sua língua nascem estrelas trituradas

de Gravitações(1984)